Cine Brasil: o país nas telas do mundo
Destaque
27/04/2026
Nas telas do mundo, o país projeta histórias que estavam trancadas na memória, ignora os algoritmos e arrebata plateias
Por Messina Neto
O cinema do Brasil tem conquistado um espaço que transcende a tela. Nossa nova safra de filmes, incluindo “Ainda Estamos Aqui”, de Walter Salles Jr., e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, desponta como grandes vencedores. De fato, o são. Mais: abrem caminho para novas produções nacionais incríveis.
“O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, outro filme brasileiro, nos arrebata com sua ficção distópica. Uma história desconcertante, envolvente, que nos tira da poltrona e nos faz navegar pela terceira margem dos rios amazônicos.
Agora é a vez do longa-metragem “Feito Pipa”, filme de Allan Deberton, com dupla premiação na mostra Generation no Festival de Berlim de 2026.
Grandes histórias produzem dividendos, movimentam a indústria, atraem investimentos, ampliam o poder de produção do setor, multiplicam empregos e ativam a economia criativa. O Brasil enxerga seus diferentes Brasis.
O investimento volta multiplicado no mínimo por oito, em termos de valor financeiro, fora o que um filme gera em publicidade às marcas apoiadoras, que podem associar suas imagens à trajetória premiada.
Ganhar Oscar, Palma de Ouro, Globo de Ouro, Urso de Ouro, entre tantos outros prêmios, é a consagração para a trajetória de um filme. Para nós, brasileiros, que amamos o país, tem sabor de vitória, oportunidade de mostrar nosso talento artístico e nossa cultura, que revela aquilo que somos e as ancestralidades que nos transformam em seres únicos do planeta.
Temos nossas próprias histórias, que falam de nossa gente, dos nossos heróis, nossas matas, dos nossos rios, que estão conquistando o mundo. Não é um exagero dizer que o Brasil está na moda. E o melhor é saber que um dos motivos é o cinema. Somos bons de bola na sétima arte, poderia dizer um entusiasmado torcedor de futebol e de cinema.
Só precisamos de maior incentivo, de apoio como existe em outros países, que ajudem a produção nacional e o segmento artístico a se desenvolver como indústria que é.
Fazer cinema no Brasil sempre foi um risco que os produtores independentes correm sozinhos. É uma luta desigual, desamparada de políticas públicas que deem conta do tamanho do Brasil e de sua diversidade. O cinema brasileiro precisa travar com inteligência e criatividade essas batalhas, buscar a essência de nossa cultura, abrir nosso baú e não sucumbir aos algoritmos que interferem na forma e no conteúdo. E a classe política precisa blindar o setor.
As plataformas, por deterem o monopólio de distribuição, acabam interferindo nas obras. Roteiristas e diretores brasileiros dos filmes aclamados em Cannes, Berlim, Los Angeles e tantos outros festivais não fizeram concessões e acreditaram na potência de suas histórias. O resultado está aí para quem quiser ver. E, por falar nisso, veja e prestigie. Vá ao cinema. A gente se lê!