A maratona tributária do Brasil

Negócios

10/04/2026

A maratona tributária do Brasil

Uma prova de resistência promete redefinir o sistema de impostos brasileiro, mobilizando governos, empresas e consumidores

Por Deia Gorayeb*

O Brasil se prepara para a maior prova tributária de sua história recente. Em 2026, começará a transição para o novo sistema aprovado em 2023, percurso que seguirá até 2032. É uma maratona longa, cheia de curvas e ajustes, que promete testar governos, empresas e consumidores atentos a cada movimento dessa mudança inédita.

A largada.  A estreia da CBS, substituindo PIS e Cofins, inaugura a corrida. Enquanto isso, ICMS e ISS continuam na pista, já em clima de despedida. A convivência entre tributos antigos e novos deve provocar tensão, revisões e inevitáveis tropeços ao longo do caminho.

Os competidores oficiais. A União corre com a confiança de quem desenhou o percurso e tenta convencer o país de que a rota ficou mais simples. Os estados, veteranos do ICMS, avançam com cautela: abrir mão de seu imposto central é como aposentar um tênis perfeitamente amaciado. Já os municípios observam atentamente o impacto do futuro IBS sobre suas receitas, acompanhando cada passo com senso de sobrevivência fiscal.

O ritmo do pelotão econômico. No Pelotão Econômico, a indústria vislumbra uma pista mais lisa após anos de zigue-zagues tributários. O setor de serviços avança dividido entre o receio de aumento de carga e a aposta na rápida adaptação. O agronegócio mantém seu ritmo estável, amparado por regras específicas e acostumado a provas de longa distância.

A torcida brasileira. Nas arquibancadas está a torcida brasileira — o consumidor, que paga o ingresso, o lanche e todos os impostos embutidos no espetáculo. Com a promessa de maior transparência, o público espera entender o que realmente se desembolsa em compras e no consumo de bens e serviços, além de enxergar o peso dos impostos e dos privilégios tão comuns no Brasil.

Os fiscais da prova, tribunais e órgãos de controle atuam como fiscais atentos para evitar atalhos criativos e interpretações mágicas, além de improvisos que já fazem parte do folclore tributário nacional. Até 2032, novos tributos ganharão espaço, antigos desaparecerão e o país precisará ajustar o ritmo para não perder desempenho.

A linha de chegada. Se tudo der certo na largada, acompanharemos os pit stops, o drama e a expectativa de linha de chegada até 2032, quando o país poderá cruzar a faixa final com um sistema mais simples, eficiente e transparente. Se der errado… ao menos a corrida renderá histórias suficientes para outra edição especial.