Páscoa… um convite para renascer
Artigos
30/03/2026
Neste artigo, Patricia Alves convida à reflexão sobre o verdadeiro sentido da Páscoa em tempos de excesso de conexão e escassez de presença
Por Patricia Alves
Tantas vezes precisamos renascer ou, como diz a canção de Elis, rejuvenescer.
Mas é, em especial, na Páscoa que esse sentimento se faz mais presente.
A casa fica perfumada com o cheirinho da receita de família, a mesa é delicadamente decorada para o almoço de domingo, e a memória da caça aos ovos revela a pureza de uma doce infância.
O chocolate, com seu apelo comercial, segue cada dia mais sofisticado e virou quase um coadjuvante em meio a brinquedos, personagens e até joias.
Antes, era feito de puro cacau; hoje, a maioria possui apenas um leve “sabor chocolate”.
A Páscoa surge, em meio a tantos acontecimentos mundiais, como um alento — uma esperança de dias melhores ou, no mínimo, um pouco mais tranquilos.
Não importa a crença ou a fé: o domingo de Páscoa é sempre alegre, reflexivo, e algo dentro de nós desperta a necessidade de renascimento.
Seja no campo das ideias, que depois florescem e se transformam em grandes planos e ações, ou nos pensamentos de mudança de comportamento, que nos mostram como acolher e olhar o outro com mais afeto.
Um convite a uma humanidade com menos pressa, menos tela e mais presença.
A conectividade nos roubou as melhores conexões e os elos mais profundos.
A cada dia, os vínculos reais escorrem de nossas mãos, dando lugar ao vício que abastece um cérebro acostumado ao prazer imediato da dopamina.
Passamos apressados. Ignoramos a finitude da vida, mesmo depois de uma pandemia.
Deixamos de viver e conviver para abastecer algoritmos que validam quem somos — e, por vezes, inventam carreiras e chancelam currículos inexistentes.
Tempos difíceis, em que parecer é muito mais do que ser…
Faço um convite aos leitores: que, nesta Páscoa, se voltem aos poucos e bons.
Às pessoas que realmente fazem sentido. Que esqueçam qualquer tipo de postagem e celebrem a companhia, o olho no olho, a mesa compartilhada — onde se constroem memórias que ficam guardadas no fundo da alma.
Aquelas que, ao fecharmos os olhos, despertam todos os sentidos e nos emocionam até o último dia de nossas vidas.
Que a velha roupa colorida nos lembre que a alma precisa rejuvenescer.
Que o renascimento de valores inegociáveis seja resgatado.
Que a gente volte a rodar o vinil na vitrola, com seu som mais puro, para cantarolar nossos sonhos, saborear nossa comida afetiva e celebrar a vida — cada dia mais louca e breve.
Um feliz renascer a todos nós!