Design autoral da Itens chega à DW! 2026
Destaque
12/03/2026
Na 15ª edição da DW! Semana de Design de São Paulo, Mariana Amaral apresenta as luminárias autorais da Itens
Por Redação
Em sua 15ª edição, a DW! Semana de Design de São Paulo acontece de 5 a 22 de março de 2026, espalhada por nove distritos da capital paulista. O maior festival urbano de design da América Latina reúne mais de 400 atividades, como exposições, lançamentos, debates, instalações e experiências. Entre as novidades que chamaram a atenção está o trabalho de Mariana Amaral, fundadora da Itens. Criada em 2016, a marca desenvolve luminárias autorais e nasceu com o propósito de tornar o design brasileiro mais acessível por meio de coleções próprias e colaborações com novos talentos e profissionais consagrados.
Nesta conversa, Mariana, fundadora e diretora criativa da marca, falou sobre a participação e os lançamentos que a marca apresenta durante o evento.
Dez anos depois, como você percebe a evolução dessa narrativa de brasilidade dentro da iluminação?
Quando criei a Itens, a ideia era justamente abrir espaço para que o design brasileiro pudesse se expressar com identidade própria. Naquele momento, falar de brasilidade ainda estava muito associado a referências óbvias ou a uma leitura mais literal da cultura. Ao longo desses dez anos, vejo uma evolução muito bonita: a brasilidade passou a aparecer de forma mais sutil e profunda, na escolha dos materiais, no diálogo com os saberes artesanais, nas histórias por trás de cada peça e até na forma como os designers interpretam o território e as memórias afetivas.
A iluminação tem essa força poética de revelar matéria e atmosfera, e as peças da itens conseguem traduzir muito bem essa sensibilidade.
Existe um “fio invisível” que conecta todas as coleções da Itens, mesmo quando são assinadas por designers tão diferentes? Qual é esse elemento em comum?
Eu gosto muito da ideia de um fio invisível, porque ela realmente traduz o que acontece na curadoria da Itens. Trabalhamos com designers de linguagens muito distintas, mas existe um cuidado constante em construir peças que carreguem uma história e um sentido.
Esse fio está, principalmente, na valorização do processo e das pessoas envolvidas em cada criação. Muitas vezes as coleções nascem do encontro entre o olhar do designer e o saber de um artesão, de uma comunidade ou de uma técnica tradicional.
O que o público pode esperar das coleções que a itens apresenta na DW! deste ano?
Nesta edição da DW!, apresentamos coleções que refletem um momento muito especial da Itens. Além de iniciarmos as comemorações de dez anos da marca, também é um período de reconhecimento internacional, com peças premiadas no iF Design Award, o que reforça a força do design autoral brasileiro no cenário contemporâneo. Existe um olhar muito atento para os materiais, para os processos artesanais e para as histórias que estão por trás de cada peça.
São projetos que nasceram de encontros muito especiais entre designers, artesãos e diferentes territórios do Brasil. O barro, a renda, o vidro soprado e as fibras naturais aparecem não apenas como matéria, mas como parte de uma narrativa que valoriza o tempo do fazer manual e os saberes transmitidos entre gerações.
A ideia é mostrar que o design brasileiro pode ser sofisticado, sensível e profundamente conectado com a nossa cultura, criando peças que vão além da função e se tornam também objetos de memória e identidade.
Como você equilibra direção criativa, curadoria e criação ao desenvolver uma coleção ou convidar um designer?
Meu papel na itens realmente transita entre esses três lugares, e eu vejo isso quase como um exercício constante de escuta. A curadoria vem primeiro, no sentido de observar o cenário do design, identificar vozes interessantes e entender quais designers podem dialogar com o universo da marca.
Quando esse encontro acontece, entra a direção criativa, que é onde procuro alinhar a narrativa da coleção com o olhar da Itens, pensando nos materiais, nas histórias que queremos contar e nas conexões com o fazer artesanal brasileiro. Já a criação aparece de forma mais direta; gosto de acompanhar de perto todas as etapas.
No fim, essas três camadas acabam se misturando naturalmente, porque o que me interessa é construir coleções que tenham coerência e uma identidade muito clara com o design brasileiro.