11 de Setembro: brasileira relata em livro como atentado mudou sua trajetória em Wall Street
Especial
11/09/2026
Fabíola Bueno estava em Nova York quando os ataques aconteceram e anos depois passou a atuar com famílias e empresários imigrantes
Por Redação
Nos 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001, a brasileira Fabíola Bueno revisita a experiência que marcou sua vida profissional. Na época, ela vivia em Nova York e construía carreira no mercado financeiro, em Wall Street. Os ataques às Torres Gêmeas, porém, fizeram com que passasse a questionar os objetivos que orientavam sua carreira e, nos anos seguintes, buscasse uma nova direção profissional.

O relato está no capítulo assinado por Fabíola em Protagonistas Volume 2, livro coordenado pela jornalista Christiane Pelajo em parceria com Carol Dostal, Fernanda Amorim, Liliane Rocha e Maíra Donnici. A obra será lançada em 9 de setembro, em São Paulo.
Formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Fabíola iniciou a carreira no mercado financeiro e passou por instituições como Banco Garantia, Credit Suisse First Boston (CSFB) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Nesse período, participou de operações de mercado de capitais, fusões e aquisições e investimentos estruturados, incluindo a oferta secundária da Amazon e projetos relacionados à formação do mercado de mortgage-backed securities no Brasil.
Em 2001, estava em Nova York quando os ataques terroristas atingiram o World Trade Center. A experiência interrompeu uma fase de crescimento profissional e provocou uma reflexão sobre o caminho que pretendia seguir.
“O 11 de Setembro me fez questionar o que realmente significava sucesso. Eu estava no auge da minha carreira, mas percebi que queria gerar impacto direto na vida das pessoas.”
A mudança, no entanto, aconteceu de forma gradual. Depois de deixar Nova York, Fabíola ingressou no mestrado em Direito na University of Texas School of Law, em Austin, onde aprofundou seus estudos em temas ligados a políticas econômicas e desenvolvimento. Mais tarde, mudou-se para Miami, onde vive atualmente com o marido e os filhos.
A experiência no mercado financeiro passou a ser combinada com uma nova frente de atuação: investimentos internacionais, imigração e mobilidade global. Atualmente, Fabíola está à frente da The Group Research, em Miami, onde trabalha com investimentos alternativos relacionados a processos de imigração e projetos de internacionalização patrimonial, com foco no mercado americano.
Entre as áreas de atuação está o programa EB-5, modalidade de imigração baseada em investimento nos Estados Unidos. Segundo Fabíola, sua própria experiência como imigrante influencia a forma como orienta famílias e empresas que passam pelo processo.
“Não para operar como uma fábrica de investimentos e green cards, mas comprometida com sonhos e trajetórias de sucesso”, afirma.
Ao longo de mais de uma década, a executiva diz ter acompanhado mais de 300 famílias e empresas em processos envolvendo investimentos alternativos e imigração nos Estados Unidos. Para ela, a experiência de recomeçar em outro país também trouxe uma perspectiva prática sobre os desafios enfrentados por quem decide construir uma nova vida fora do país de origem.
“Conheço, na própria pele, o que é ser imigrante. Não importa quantos mestrados você tenha, nem quantas vezes entrou na USP, recomeçar em outro país exige uma humildade que dói no osso.”
No livro, a executiva amplia o relato para além do episódio de 2001 e aborda as decisões que vieram depois dele. Adaptação cultural, carreira, formação de família, patrimônio e legado aparecem como partes de uma história que começou no mercado financeiro e posteriormente ganhou novos contornos no campo da mobilidade internacional.
Em Protagonistas Volume 2, Fabíola divide sua experiência com outras mulheres em uma coletânea dedicada a diferentes histórias profissionais e pessoais. Seu capítulo parte de um dos acontecimentos mais marcantes da história recente para mostrar como uma experiência vivida em Nova York acabou influenciando escolhas feitas ao longo das décadas seguintes.